A conferência Municipal de Cultura Cidade de São Paulo
Lia Ferreira*
Foi mesmo uma confusão e no domingo à noite já sem forças e com a plenária esvaziada houve outra inversão. A comissão não conseguia sistematizar os votos e optou-se por abria para as falas da mesa de encerramento. O Hamilton Faria falou em tom desabafo e magoado por acreditar que a comissão foi a mais democrática possível e depois a representante do MINC acabou assumindo os erros ocorridos em todo o processo, os quais eu entendo poderiam ter sido minimizados se o MINC tivesse efetuado este discurso no início da conferência. Até quando fiquei 21h30 do domingo, 25 de outubro, o processo de leitura esta sendo iniciado e assim a Comissão organizadora deixou o Secretário na mesa para que falasse no final da leitura.
Como já escrevi ontem 27/10 a conferência não foi representativa para uma cidade de mais de 11 milhões de habitantes como é São Paulo e também a manipulação da representatividade ocorrida durante toda conferência não me pareceu ética, pois a cultura da cidade não é somente a fala do Movimento 27 de março,a qual acho justa mas existem outras vozes e penso que muitas vezes, quando utilizamos o nosso conhecimento o melhor é dar espaço para ouvi-las em vez de ensurdecermos como nossos próprios gritos. Não tivemos sequer os representantes das comunidades indígenas que habitam a cidade. Eu mesma perguntei ao Calil o porque não foram avisados os antigos delegados eleitos em 2004 e pasmem, ele me disse: não sabia que São Paulo tivesse tido delegados eleitos alguma vez. Isto se refletiu em todo o processo segundo me informou a Fátima, Funcionária da SMC eles não tinham esta informação, o que duvido pois bastava o próprio Hamilton e Maurício que estiveram presentes na conferência de 2004 encaminhar um e-mail a um de nós e todos.
Penso que ainda temos um longo caminho e temos que utilizar o dito de 1920 de Oswald de Andrade: "Considera-se um povo pela sua cultura; (...) é a expressão máxima da raça e do momento a obra de arte que resiste ao tempo; passam os politiqueiros, passam os tiranos que andaram de charolas e os agitadores de praças públicas, apaga-se a memória dos que foram grandes à força de trombeta e ficam os artistas", ou seja a Cultura permanece e é isto nos mantém vivos apesar dos desmandos políticos que vem ocorrendo em São Paulo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
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